BRASIL: UMA PANELA DE PRESSÃO (OU ESTAMOS PERDIDOS)

O QUE ACONTECERÁ QUANDO A PANELA DE PRESSÃO EXPLODIR?

(SEM) INSPIRAÇÃO

HOJE ACORDEI INSPIRADO. MAS ACHO QUE EXPIREI.

SOBRE SER CULTO

A VIDA NÃO SE RESUME AO FACEBOOK.

A REVOLUÇÃO DOS MACACOS

SOMOS TODOS MACACOS, ALGUNS MAIS MACACOS QUE OUTROS.

NU

HOJE ME DEU VONTADE DE ESTAR NU.

05 julho 2010

Este é o Meu Lago

Você conhece a história de Narciso?

Narciso é um personagem da mitologia greco-romana. Ele sempre ia contemplar sua beleza em um lago, olhando seu próprio reflexo. Até que, um certo dia, caiu dentro do lago e morreu afogado.

Daí vem o termo narcisismo, que, segundo o dicionário, é a "excessiva admiração que nutrimos por nós próprios; tendência anormal e excessiva para sentir prazer na contemplação da própria imagem". De um modo geral, todos temos um pouco de Narciso. De um modo geral, nós, blogueiros, temos muito dele.

Criamos blogs com o intuito de expor nossas ideias e opiniões para o mundo, de forma a dar nossa contribuição, mesmo que mínima, para a construção da sociedade. Porém, o verdadeiro motivo de nos tornarmos blogueiros é fazer com que os outros nos leiam. Esta página é, na verdade, o meu lago.

Este é o único lugar onde eu sou um ser soberano. Apenas minhas ideias, apenas meus assuntos, apenas minha filosofia de vida. Aqui eu posso criticar o estilo de vida do outro, sem que eu seja necessariamente criticado e sem que eu esteja exposto em meu círculo social. Aqui, em 90% de minhas postagens, eu pego ideias dos outros, as adapto ao meu estilo, e as publico como se fossem inteiramente minhas. Crio minha imagem. Coloco uma descrição inteligente embaixo da minha foto. Tento transformar este, num espaço cult, mesmo me faltando conteúdo as vezes. Peço para meus amigos lerem meu blog. Sempre deixo uma mensagem irônica do tipo "volte sempre" aos que dizem que o acessaram. Afinal, todo narcisista precisa de elogios. E o que seria este blog, senão e somente um alimento para meu ego?

Cuidado para eu não me afogar.

02 julho 2010

Uma Noite de Teatro e Pizza

Terça-feira passada eu tinha o plano de assistir ao Café Filosófico na CPFL, porém acabou não dando certo.

Pensei que minha noite de terça estava perdida, quando meu irmão e minha cunhada me chamam para ir ao teatro, assistir à peça "A Pena e a Lei". Mais que depressa, aceitei o convite. Minha cunhada estuda Direito, o que me levou a crer que seria uma peça com um julgamento e um debate fudido entre os advogados de defesa e acusação, seja lá qual fosse o motivo. Engano meu. A peçase baseia na cultura nordestina, com cangaceiros e xerifes, coisas das quais nunca fui fã. A atuação dos atores deixou a desejar. A micro-peça inicial realizada por criancinhas foi terrível. Aposto que o Café Filosófico teria sido melhor.

E, analisando friamente os alunos de direito presentes no espetáculo, pude notar várias coisas. Todos eles, sem exceção, se vestiam de forma impecável. A maior parte dos homens tinham penteados mamãe-sou-empresário, bem ao estilo yuppie. A maior parte das mulheres usavam quilos de maquiagem. Parecia uma reunião de uma alta sociedade emergente indo a um programa pseudo-cult. Porém, aquela nem era alta-sociedade e nem o programa era cult, muito pelo contrário, ouvi diversos comentários idiotas feitos por eles e faltou conteúdo na peça.

Depois, fomos à um rodízio de pizza. O rodízio foi bom, apesar de eu já ter jantado, já que meu irmão e minha cunhada não tinham me avisado desse detalhe. Os alunos de direito eram legais, de um modo geral. Apesar dos pezares, foi bom não ter ficado em casa. mas que na próxima, a peça seja um pouco melhor.

19 junho 2010

Ensaio sobre o Nada

Na verdade, eu não sabia sobre o que escrever.

Para encontrar um bom tema para um blog é preciso tempo para pensar. Infelizmente, final de semestre é uma correria tão grande que não estou com tempo para pensar por hobby, mas apenas para a faculdade e o serviço. O que, de fato, é algo irônico, já que acabei de ler e fazer um exercício sobre um livro que se chama 'Perca tempo', que critica o modelo atual da sociedade, que está nos transformando em máquinas e nos deixa sem tempo para realizar o ato de pensar.
Então, já que estou sem ideias, por que não escrever sobre o nada? Por que não escrever sobre o não-saber-sobre-o-que-escrever?

Os filósofos da Grécia antiga debatiam sobre o que é o nada. Hoje em dia, se alguém debater sobre o mesmo tema, será chamado de vagabundo. O que seria o vagabundo senão aquele que pratica o nada? Quando foi que o nada, que o ócio, que o não-fazer se tornaram nossos inimigos?

Acho que nunca a humanidade observou e meditou tão pouco. Talvez nos falte poesia, rebeldia. Talvez nos sobre alienação e distúrbios psicológicos. José Saramago já não se encontra mais entre nós. Concomitantemente a isso, Geisy Arruda lança um livro. Precisamos de heróis... onde estão todos os heróis? Será que se mudaram para Crypton? Estamos todos entrando em um certo desespero, pois não fazemos nada porque fazemos tudo, e só fazemos tudo porque não fazemos nada. Não podemos deixar essa realidade nos consumir. Pare. Leia. Reflite. Pense. Ou, pelo menos, uma dessas coisas. Não vamos deixar que a roda-viva carregue nosso destino pra lá.


"A realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife…” Woody Allen

O que isso tem a ver com o nada? Nada.

22 maio 2010

10 Anos Depois...

"Claro que não o vejo ha anos. Entrei no seu Blog agora, e li tudo, achei muito interessante. E ri, juro que ri, quando li 'Dan apoia a marcha da maconha'. Lembrei do Danilo sapeca, calça jeans, camiseta da escola, aparelho nos dentes, cara de sapeca, nerd... e pensei nesse Danilo apoiando a Marcha da Maconha. Aí eu ri de novo. rs. Beijos"

Recebi essa mensagem recentemente no MSN, de uma menina que não vejo há quase 10 anos. Gleice estudou comigo na 3ªsérie, e depois disso seguiu por caminhos diferentes dos meus. 10 anos depois, voltamos a nos falar, depois dessa mensagem curiosíssima. A partir dessa mensagem eu vi o quanto eu mudei. Eu vi o quanto todos nós mudamos. Adorei ter voltado a conversar com você, Gleice! Quanto nós crescemos, não é mesmo?

10 abril 2010

SOS Posto de Saúde

Trabalhar em um posto de saúde é uma coisa pra lá de exótica. Recepcionar pessoas já não é fácil; recepcionar pessoas doentes é mais difícil ainda. O pesadelo de todos os funcionários de postos de saúde do Brasil inteiro está sendo, provavelmente, essa vacina da gripe H1N1. O povo assiste muito à televisão, que, além de orientar, também desorienta a população.

"Ah, então quer dizer que meu filho de 3 anos pode morrer com a gripe, mas uma pessoa com 30 anos não pode?", me perguntou a mãe de uma criança de 3 anos. "Infelizmente seu filho não está entre os considerados grupos de risco, senhora. Qualquer coisa, se quiser, ligue para o Ministério da Saúde... foram eles que criaram esses critérios", respondi.

E essa neurose geral é até ridícula. A dengue mata bem mais que a H1N1 e, ainda assim, a população não tira água acumulada dos locais de risco. Aposto que aquela mãe desesperada já teve um vasinho de planta com água parada e foco da dengue, mas como a televisão não noticia caso a caso as vítimas do aedes aegypti, pra que nos preocuparmos, não é mesmo?


Porém, por outro lado, nós, funcionários de postos (pelo menos os do posto que eu trabalho) somos opostamente neuróticos. Alguns dos meus colegas não tomaram a vacina por "medo" das reações que ela poderia causar. Essas reações realmente existem, mas são percentualmente improváveis de acontecer. Porém, é mais fácil acreditar que algo dará errado, do que apenas tomar a maldita vacina! Provavelmente, trabalhar com pessoas neuroticas acaba nos tornando neuroticos.

Até quando permanecerei são?

04 abril 2010

Santos Não Tão Santo

Os jogadores do time do Santos marcaram um gol contra no último dia 2. Parte do elenco, incluindo Robinho, Neymar e Ganso, os principais nomes do clube praiano, se recusaram a entrar no Lar Mensageiros da Luz, uma instituição espírita que cuida de crianças e adolescentes com paralisia cerebral, para entregar ovos de Páscoa em ação beneficiente, por preconceito religioso.

O fato é ainda mais grave por se tratar de figuras públicas, que deveriam dar exemplo a toda torcida. Afinal, qual a diferença entre esse preconceito religioso cometido pelos jogadores, com o preconceito racial e as brigas entre torcidas que ocorrem dentro e fora de campo?
Realizar ações solidárias apenas para pessoas semelhantes, não é ser solidário, mas excludente.

Após toda a repercussão, Neymar e Robinho vieram a público se desculpar, e garantiram que voltarão ao Lar Mensageiros da Luz para acabar de vez com essa polêmica. E isso é o que todos nós, católicos, evangélicos, espíritas, a
teus... brasileiros, esperamos que aconteça. Não há como acabar com o preconceito dentro de campo, se os profissionais da área não tiveram a consciência do quanto isso é prejudicial para toda a sociedade.

01 abril 2010

Eurodescendentes

Dias atrás, numa conversa informal com uma amiga, utilizei o termo "negrinha", ao me referir a uma outra menina. Não falávamos nem bem nem mal da menina, foi apenas uma citação. Porém, minha amiga logo me perguntou se eu era preconceituoso. Afirmei que não e, em seguida, repeti a mesma frase de forma irônica, utilizando, desta vez, o termo "afrodescendente". Conversamos mais um pouco. Nos despedimos.

Mas não consegui tirar aquilo da cabeça. Será mesmo que se eu chamar meus amigos afrodescendente de negrinhos, em conversas casuais, estarei sendo preconceituoso?

É difícil para eu assimilar essa informação, pois me aparecem alguns que
stionamentos. Será que se alguém me chamar de branquinho, poderei acusá-lo de ser preconceituoso? O termo certo não seria eurodescendente? Afinal, no Brasil, tudo é definido pela cor da pele, Sou descendente de europeus pela minha aparência, mesmo que meu bisavô tenha sido negro. Aquela menina é afordescendente, mesmo tendo, provavelmente, sangue português, e italiano, e indígena...

Claro que não posso dizer que não existe preconceito. Porém, vivemos em uma sociedade com síndrome do pânico, mania de perseguição. Discutimos mais sobre terminologia do que sobre políticas públicas para diminuir a desigualdade entre as cores de pele de nossa sociedade.