19 junho 2010

Ensaio sobre o Nada

Na verdade, eu não sabia sobre o que escrever.

Para encontrar um bom tema para um blog é preciso tempo para pensar. Infelizmente, final de semestre é uma correria tão grande que não estou com tempo para pensar por hobby, mas apenas para a faculdade e o serviço. O que, de fato, é algo irônico, já que acabei de ler e fazer um exercício sobre um livro que se chama 'Perca tempo', que critica o modelo atual da sociedade, que está nos transformando em máquinas e nos deixa sem tempo para realizar o ato de pensar.
Então, já que estou sem ideias, por que não escrever sobre o nada? Por que não escrever sobre o não-saber-sobre-o-que-escrever?

Os filósofos da Grécia antiga debatiam sobre o que é o nada. Hoje em dia, se alguém debater sobre o mesmo tema, será chamado de vagabundo. O que seria o vagabundo senão aquele que pratica o nada? Quando foi que o nada, que o ócio, que o não-fazer se tornaram nossos inimigos?

Acho que nunca a humanidade observou e meditou tão pouco. Talvez nos falte poesia, rebeldia. Talvez nos sobre alienação e distúrbios psicológicos. José Saramago já não se encontra mais entre nós. Concomitantemente a isso, Geisy Arruda lança um livro. Precisamos de heróis... onde estão todos os heróis? Será que se mudaram para Crypton? Estamos todos entrando em um certo desespero, pois não fazemos nada porque fazemos tudo, e só fazemos tudo porque não fazemos nada. Não podemos deixar essa realidade nos consumir. Pare. Leia. Reflite. Pense. Ou, pelo menos, uma dessas coisas. Não vamos deixar que a roda-viva carregue nosso destino pra lá.


"A realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife…” Woody Allen

O que isso tem a ver com o nada? Nada.

1 Comentários:

Julia disse...

...Quando foi que o nada, que o ócio, que o não-fazer se tornaram nossos inimigos?...
Se me permite, a partir do momento em que nossa sociedade neurótica ocupa 24 hs por dia em atividades que em sua maioria nos tiram o foco de "o quê" e "porquê" estamos vivos, entendemos que quanto maior tempo ocioso mas temos consciência de quanto estamos vazios. Então para sustentar a mascara ocupamos esse tempo em qualquer coisa que livre nos da nossa propria compania. Infelismente essa é a minha visão de como o não ter "tempo" para o nada nos tem deixado cada vez mais distantes de nós mesmos impessoais, medrosos e neuróticos esperando soluções externas para todos os problemas. Dan, li suas postagens e adorei o blog, vou visitá-lo com mais frequência. Julia