04 fevereiro 2015

Klapaucius

Dia 4 de fevereiro de 2015

Há 15 anos era lançado o jogo The Sims, o primeiro game de simulação de vida. Sucesso imediato, tornou-se, em 2002, o jogo mais vendido de todos os tempos. Hoje, com outras 3 sequências lançadas e dezenas de expansões, continua um sucesso. Com uma premissa quase banal de simplesmente viver, incluindo tudo – ou quase tudo - o que isso significa, como comer, ir ao banheiro, tomar banho, trabalhar, comprar, transar, conversar e se divertir, qual foi o grande segredo para The Sims ter se tornado o sucesso que é?

Sou suspeito para falar. Gosto de jogos de simulação. Mas The Sims tem realmente algo de especial. Você inicia sua vida com poucos recursos e, só depois de muito trabalho, é que o dinheiro vai começando a surgir. Achou familiar? Sims são seres capitalistas, necessitam de simoleons (o nome da moeda utilizada), mas sabem aproveitar a vida. E querem aproveitá-la. Necessitam disso. E são criaturas independentes. Deixe-os parados por algum tempo, que eles mesmos tratam de realizar tarefas por vontade própria. Quase nos dizendo “Não preciso de você, humano”. Isso, claro, em Simlish, a língua oficial dos Sims.


Ele simula a vida, mas uma vida que só existe por lá. É brilhante a forma simples e descomplicada com que as coisas são tratadas. Porém, mais que a questão individual do personagem, está na parte social o grande trunfo da franquia. Aprendemos que ter filhos dá muito, mas muito trabalho e, ainda que se tenha dinheiro para contratar uma babá, serão várias noites mal dormidas. Educá-las também é bastante complicado. Descobrimos que, para ter filhos, é preciso fazer “Oba-Oba”, mas que nem todo “Oba-Oba” tem o intuito de fazer filhos; às vezes, é “Oba-Oba” só por diversão. A sociedade Sim – diferentemente da nossa - não é moralista. Todos os Sims são, a princípio, bissexuais, já que têm a capacidade de se apaixonarem por ambos os gêneros. Pode-se adotar crianças de forma descomplicada, seja por um casal heterossexual, homossexual ou até um pai ou uma mãe solteiros. A discussão atual sobre "o que se caracteriza uma família" é um assunto superado há uma década e meia em The Sims. A morte também está lá, já que a Família Caixão não nos deixa esquecer que, assim como nós, os Sims não são eternos. Não importa sua cor, gênero, se você é um fantasma ou um alien, gosta-se – ou não – de você pela forma com que o papo se desenrola e pela afinidade entre os personagens. 

É também um jogo sarcástico. Ele te permite ser mal educado, preguiçoso, desleixado, brigar, trair, fofocar. Mais que o jogo mais vendido de todos os tempos, The Sims é didático, e ensina há gerações, de forma descomplicada, divertida e sem tabus, sobre a diversidade em suas mais amplas formas. Sims não são seres necessariamente bondosos. Mas quem é? Uma coisa é certa: a discriminação não é uma ferramenta disponível no game.

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