19 setembro 2017

Cerá? (ou uma doença para chamar de minha)

Dia 19 de setembro de 2017


Foi pouco mais de um mês de demora entre a primeira vez que percebi os sintomas e o diagnóstico médico. Percebi no cinema. Era dia dos pais e fomos em família assistir a um filme em 3D. Por algum motivo que não sei ao certo qual - infantilidade minha, desconfio eu haha - eu decidi testar como ficaria a visão com o óculos do cinema caso eu fechasse um dos olhos. Fechei o olho esquerdo. Visão perfeita. Fechei o olho direito. Tudo embaçado. Lembro-me de ter pensado que não fazia muito sentido enxergar bem com um e não com o outro. Continuei assistindo ao filme.

Antes que me perguntem, assistimos ao "Planeta dos Macacos - A Guerra". Um filme não mais que bom, apesar da história bacana e cenas com efeitos surpreendentes. Mas surpresa maior mesmo eu tive ao sair da sessão. Ao repetir o teste que havia feito - dessa vez sem os óculos 3D - o olho esquerdo continuava embaçado. O problema não era a tecnologia 3D, mas sim a "tecnologia" da minha visão. Algo estava errado.

Consegui agendar consulta com uma oftalmo para três dias depois. Antes disso, fiz um teste de acuidade visual num posto de saúde próximo do trabalho. Sabem aquele teste para olhar a direção em que a letra E está, e que nós achamos absolutamente idiota? Pois é. Eu só conseguia responder a direção da letra na primeira fileira, a maior de todas. Nas outras, quando só meu olho esquerdo estava aberto, era impossível. Se aquilo fosse uma prova, eu estaria reprovado com louvor. Confesso que nesse momento bateu um certo desespero.

Dias depois, já na consulta, a médica me disse que eu tinha quase 6 graus de miopia e astigmatismo. Isso era uma imensidão para alguém que nunca precisou usar óculos. Mais um indício de que não era apenas um desgaste natural, e sim algo mais grave. Aquele dia foi a primeira vez que ouvi uma palavra que irá me acompanhar, provavelmente, para o resto da minha vida: ceratocone. Ela me pediu alguns exames para comprovar suas suspeitas.

Jamais tinha ouvido falar dessa tal ceratocone. Antes mesmo de chegar em casa, já havia dado um google, na esperança de que fosse algo simples. Mas ao contrário disso, as primeiras palavras que li sobre ela foram "doença degenerativa". Confesso: li como se tivesse tomado um soco. Descobri que é difícil ser otimista logo após receber tal notícia do doutor Google.

Fiquei uns dias triste? Fiquei. Preocupado? Fiquei. Mas continuei minhas pesquisas. E, aos poucos, com a ajuda da mesma internet que tinha me feito ler a bombástica palavra "degenerativa", fui desmistificando a doença. Quando recebi o resultado do exame, eu já estava até familiarizado com as causas e possíveis tratamentos.

Ceratocone é sim uma doença degenerativa que deforma a córnea do olho, podendo atingir até mesmo os dois olhos - no meu caso, está só no esquerdo. A córnea, por sua vez, é uma espécie de película que cobre a parte externa do globo ocular. O ceratocone deforma o ângulo da córnea, causando embaçamento e, consequentemente, a perda da acuidade visual. Isso, claro, segundo os meus conhecimentos em oftalmologia, após um mês de estudos intensos na universidade chamada internet.

Apesar de degenerativa, ela tem tratamento: óculos, colírio, lentes especiais, cirurgia ou,em último caso, transplante de córnea. A certeza até o momento é a de que para o resto da minha vida eu precisarei ter um oftalmologista para chamar de meu. Preferencialmente um que seja especialista em córnea. Adoro segmentações.

Em resumo: Poderia ser pior, mas não é (que Murphy não me ouça). Apesar de ser algo que me seguirá, provavelmente, para o resto da vida, eu não ficarei cego e é possível que recupere parte da visão perdida.

Mas sejamos realistas: apesar da sensação verdadeira de que "não é o fim do mundo", toda doença crônica causa uma alteração na percepção que temos sobre o mundo. Sabe aqueles filmes em que os personagens só realizam uma mudança na vida após a descoberta de uma enfermidade? Pois é. Esse efeito existe. A gente percebe de forma mais claro o quanto protelamos alguns dos nossos objetivos com desculpas de falta de tempo ou até mesmo por pura preguiça.

Uma das mudanças foi tive iniciar a escrita de um livro chamado "A Rainha de Gesso", que está sendo publicado no Wattpad. Sim, escrevi todo esse texto emocionante apenas para divulgar um trabalho meu, porque afinal de contas a propaganda é a alma do negócio haha. Brincadeiras à parte, é a velha história do não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. A sensação de impotência diante de alguns eventos podem trazer alguns pontos benéficos. Vai muito de como você lida com eles.

Se você está lendo essa postagem porque seu médico suspeita de ceratocone ou acabou de ser diagnosticado com a doença, não se desespere. Você não deixará de ver todas as cores do mundo. Talvez essas cores que você vê acabem se tornando ainda mais bonitas a partir de agora. A gente valoriza ainda mais o que tem quando a possibilidade de perdê-las fica mais evidente.

E, como não poderia faltar, quem quiser conferir o livro "A Rainha de Gesso", confira gratuitamente no link abaixo.

https://www.wattpad.com/468890606-a-rainha-de-gesso-cap%C3%ADtulo-1


SINOPSE

Nascida em um vilarejo pobre, Jordana Modeste está vivendo um sonho: convive bem próxima da realeza, sendo a dama de companhia da princesa - posição de prestígio na corte - e tendo boa relação com o rei. Apesar disso, não é vista com bons olhos por alguns membros da nobreza, ainda mais depois de ter engravidado solteira em uma sociedade tão tradicional.

Em uma noite de festas no Reino de Torim, ela escuta que o rei estaria ferido e desmaiado no estábulo. A princesa e sua prima correm para lá. Jordana também se dirige para o local, sem conseguir acompanhar o ritmo das duas. Quando se aproximava do lugar, Jordana ouve um estrondo seguido de uma forte luz: o estábulo havia explodido.

Esse incidente seria o início de uma perigosa disputa pela coroa.

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