BRASIL: UMA PANELA DE PRESSÃO (OU ESTAMOS PERDIDOS)

O QUE ACONTECERÁ QUANDO A PANELA DE PRESSÃO EXPLODIR?

(SEM) INSPIRAÇÃO

HOJE ACORDEI INSPIRADO. MAS ACHO QUE EXPIREI.

SOBRE SER CULTO

A VIDA NÃO SE RESUME AO FACEBOOK.

A REVOLUÇÃO DOS MACACOS

SOMOS TODOS MACACOS, ALGUNS MAIS MACACOS QUE OUTROS.

NU

HOJE ME DEU VONTADE DE ESTAR NU.

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28 agosto 2020

Branco sobre branco

 Dia 28 de agosto de 2020    

    Eu não queria que você me lesse. Por isso a ocultação desse texto pouco inspirado. Ao mesmo tempo, se escrevi, é porque eu queria, sim, seus olhos sobrevoando linha após linha, sua boca fazendo movimentos mudos enquanto a sua mente — e não os seus lábios —as lê.

    Nós somos seres tão voláteis, não é mesmo? Queremos desquerendo. Evitamos nos aproximando. Caetano já sabe há muito tempo da complexidade de nossos quereres. Ok, não vou generalizar como sempre faço, com a intenção inconsciente — ou não — de deixar este texto mais impessoal. Dessa vez, tentarei não me ocultar de forma covarde sob os pensamentos de um personagem fictício. Esse texto é sobre mim, não sobre os outros. Por isso, vou assumir minha própria indecisão e deixar que os outro assumam as deles. Eu não sei o que quero. Eu não sei nem se quero.

    “Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”, disse Cazuza em certa canção. Uma fruta mordida não faz com que você crie expectativas em excesso. Uma fruta mordida é o que ela é. Você já sabe o seu gosto, o quanto de suco ela possui, o quão madura ou não ela está. Sem surpresas, sem aqueles questionamentos irritantes de “será que...?” que fazemos antes de experimentá-la.

    Eu não sei se quero a fruta mordida. Não sei se quero a fruta inteira. As vezes me encontro querendo um meio termo. Mas o que é um meio termo entre a fruta inteira e a mordida? Pra piorar, você também não sabe o que quer. Na verdade, minhas dúvidas são até mais certas que qualquer afirmação já saída de sua boca. “Vamos nos ver tal dia”, você disse. “Quero que permaneça em minha vida”, você afirmou. Você não sabe que quando se conjuga o verbo amar pra alguém a gente tende a acreditar? É que não dá pra amar em um dia e no outro ocultar esse sentimento como se fosse possível descolori-lo.

    Eu não sei o que quero. Você também não. Você acha que sabe, mas eu sei que não. E é justamente no espaço entre minhas dúvidas certas e suas certezas oscilantes que vamos regando pequenas raízes de decepções. É na falta de trocas que nasce a indiferença. É na ausência de novas linhas que o nosso texto vai se desbotando, vagarosamente, até perder completamente a cor e sumir.

        Sumir exatamente como este texto em branco que nunca será lido por ninguém.


26 maio 2017

Realeza Canibal

Dia 25 de maio de 2017

O Rei 1 sofreu um golpe. Eram poucos os plebeus que ainda o apoiava. Faltava-lhe eficiência e inteligência. A plebe não estava contente.

Apesar disso, o golpe não foi uma iniciativa popular, mas orquestrado pelos reis 2, 3 e 4. Ainda que suas diferenças fossem grandes e seus egos equivalentes, se uniram pela máxima "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". Inimigo derrotado, sobrou apenas as diferenças. 

Ocupados em resolver suas diferenças, foi o Rei 5 - que ainda não tinha entrado na história - quem ascendeu ao poder, aproveitando-se do vácuo momentâneo. Apesar disso, os Reis 2, 3 e 4 ainda comandavam todo o sistema. O Rei 5 era decorativo. Só ele não sabia disso.

O sistema dos novos reis era mais impositivo que o antecessor. Faltava diálogo, sobrava ordens. A plebe, que já não estava feliz anteriormente, sentia-se cada vez mais fora do jogo. Os outros mandavam e a eles só restava obedecer.


Foi então que se uniram. Democraticamente, lutaram pelos seus direitos. Não queimaram prédios, não fizeram greve, não ergueram bandeiras. Apenas reclamaram ao Rei 5 por mais direitos. E nada mudou. Num sistema onde o diálogo não é considerado, a luta pelo viés democrático é ineficaz.

Porém, ao mesmo tempo em que a plebe lutava em vão por seus direitos, as diferenças entre os reis ficava cada vez mais evidente. 

O Rei 5 ainda estava iludido pelo cargo ilusório que lhe foi conferido. Os  Rei 2 jogava contra o Rei 3 e o Rei 5, e achava que tinha apoio do Rei 4. Mas o Rei 4 não apoiava ninguém, apenas a ele. O Rei 3, por sua vez, fazia movimentos contra o 2 e o 5.

A plebe percebeu que não estava fora do jogo. Eles só estavam sãos. Ao contrário dos Reis. Estes cegos, insanos, loucos e canibais.

A plebe, ainda sofrida, decidiu apenas assistir. Assistiam ao lento e vergonhoso declínio dos Reis. Não havia torcida por nenhum deles. Apenas o desejo masoquista de ver a realeza canibal sangrar. E a cada gota de sangue azul derramada, um sorriso plebeu se abria. A sanidade tem seu preço. A insanidade também.

01 março 2017

Pintaram tudo de cinza

Dia 1° de março de 2017

Aqui aconteceu um carnaval. Eu juro! Havia um carnaval aqui!

Eu sei, é difícil de acreditar. Não consigo lhe dizer onde estão todos, mas isso aqui estava lotado, meu senhor. Estou lhe falando... isso aqui estava abarrotado de gente.

Não, meu senhor. Estavam todos felizes. Quase todos, pelo menos. Claro que deve ter acontecido um ou outro problema, uma ou outra briga. Mas, assim, no geral, a regra era dançar, beijar, beber e se divertir.

Dá, dá pra reconhecer os foliões pela roupa sim. O que? Se eles usavam algum tipo de uniforme? É sério que o senhor não conhece o carnaval? Não, me desculpe... não quis dizer isso. Concordo, ninguém é obrigado a conhecer o carnaval. Não quis lhe ofender. Mas, assim... uniforme ninguém usava não. A regra da roupa era bem ao contrário da de um uniforme, sabe? Tem alguma palavra que seja o contrário de uniforme? Poi é, eu também não conheço. Mas se houver, isso seria uma boa definição da roupa deles.

Se era cinza? Não, não. Era tudo bem colorido. Por isso o meu espanto, entende? Não sei quem vandalizou a cidade. Juro que não fui eu. Por mim ainda estaria tudo colorido.

Eu tô é frustrado. Eu achava que não ia acabar, sabe? Desde sexta-feira que todo mundo se diverte. Isso mesmo, eu não tô maluco não, meu senhor! Foi sexta, sábado, domingo, segunda, terça... aí hoje eu saio pra rua super empolgado, e nada. Quase saí pra rua de saia, senhor acredita? Imagina o vexame.


Não, né! É claro que não uso saia no meu dia-a-dia. Mas é que assim... quando tem homem de saia em todo canto, usar ela parece normal, entende? É como na Escócia. O senhor sabe que lá os homens usam saia como se fosse calça jeans, não sabe? Pois, então. Homem usar saia foi normal por cinco dias aqui. Eu juro! Mas agora tô vendo que não é normal mais não. Não sei também quem proibiu o uso dela hoje. Mas, pelo visto, tá proibido sim. Só mulheres podem usar saia agora. Ou tá vendo algum homem usando uma? Tô achando que quase tudo tá proibido de novo. Homem de saia, mulher de roupa curta, faltar do trabalho, ouvir música alta, ser feliz. Mas o que mais me deixou chateado foi a proibição das cores. Sinceramente? Nunca vi uma quarta-feira tão cinza. Não sei quem terminou o carnaval, mas peço que o senhor, seu guarda, prenda o responsável por vandalizar nossa alegria.

29 janeiro 2017

Pensamentos de um mochileiro: Chile, Bolívia e Peru (Parte 2)

O DIA EM QUE OS INCAS VENCERAM OS ESPANHÓIS

Dia 29 de janeiro de 2017

Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonado por xadrez. Não necessariamente pelo jogo em si. Claro que ele é interessante. Eu é que não sou um bom jogador. Me atraio na verdade por suas peças. É impossível não parar em frente às lojas de tabacarias de shopping centers sem olhar para aqueles tabuleiros dos mais variados formatos e materiais, um mais lindo que o outro, um mais caro que o outro. E eu sempre sem dinheiro mas sempre repetindo mentalmente: um dia compro um desses!

Eu acredito muito em energias e no poder que elas têm em nossas vidas.Comprar um xadrez desses bem estilizados era um pensamento que eu tinha já há algum tempo. Já a viagem para o Chile, Bolívia e Peru, não. Ela se tornou um sonho para mim durante a própria viagem. Nos vendem Europa e EUA como que jogos de xadrez feitos de cristal em vitrines de tabacarias. Esses locais são, provavelmente, lindos. Um dia hei de visitá-los, assim como um dia terei delicados e belos reis, rainhas e peões de cristal expostos em minha mesa de jantar. Mas, assim como não existem apenas jogos de xadrez em cristal, também não existe apenas o chamado "primeiro mundo" para se visitar.

Santiago - Chile
O Chile, minha primeira parada, foi uma grata surpresa. Sua capital Santiago é sete vezes maior que Campinas, e, ao mesmo tempo, sete vezes menos insana. Claro que a cidade que o turista enxerga nunca é a mesma cidade dos moradores do local. Mas o stress de lá é, aparentemente, menos estressante. No horário de pico o trânsito anda. No metrô, quando cheio, as pessoas esperavam o próximo ao invés de se acotovelarem. As notas de dinheiro, sempre com quatro dígitos ou mais, nos dá a sensação sempre falsa de ter mais dinheiro do que realmente temos. isso, claro, até a primeira compra, sempre de, no mínimo, três dígitos. O tempo, seco, é o oposto de seu povo, acolhedor. As paisagens possuem neve, deserto, montanhas, praias, frio e calor. É possível conhecer um Chile por dia.
Salar Uyuni - Bolívia
A Bolívia possui o Salar Uyuni. Apenas por essa paisagem o passeio todo já valeu a pena. Existem outros belos lugares  no país, como as lagunas, os geysers, as ilhas e o Lago Titicaca. Mas nenhum outro se compara à visão mágica do céu se espelhando no chão. Além de Uyuni, outras cidades visitadas por nós foi La Paz e Copacabana. A primeira tem seu charme, mas a combinação altitude, poluição e falta de árvores não me fez bem. A segunda nos fez sentir em casa, não só pelo nome familiar, mas também pela bela paisagem do maior lago navegável do mundo, o Titicaca. A Bolívia no geral é um país peculiar. Eles mantém suas raízes bastante fortes, seja na música, nas vestimentas ou na forma quase improvisada que algumas coisas funcionam. Dos três, foi na Bolívia onde o choque cultural realmente apareceu. E, com o diferente, as comparações com seu país de origem e até mesmo os preconceitos aparecem de forma involuntária. Julgamentos sobre beleza física daqueles com o fenótipo do qual não estamos acostumados vem à tona. O questionamento se nossa bagagem colocada no ônibus sem identificação irá estar no mesmo lugar ao final da viagem aparece. O medo do barco aparentemente não tão seguro naufragar também surge. E, no final, tudo funcionou, ainda que num processo e com procedimentos diferentes do que seria em nosso país. Outra coisa curiosa é que no país de Evo Morales cagar é um desafio. Há um verdadeiro comércio de banheiros imundos e sem torneiras ou papel higiênico pelas cidades. Paga-se um ou dois bolivianos (aproximadamente de R$0,50 a R$ 1,00) para entrar neles. A dica é levar seu próprio rolo e um álcool em gel. Não tenha dúvidas de que eles serão de grande utilidade.

Ilha Taquile - Peru
Por fim, o Peru foi uma grata surpresa. Mais precisamente a cidade de Puno, a única do país que visitamos, mas certamente não será a última. Além de experiências inesquecíveis nas visitas que fizemos nas ilhas peruanas do Titicaca, a cidade nos recebeu com uma festa que nos lembrou bastante o carnaval de rua brasileiro. Além disso, outra grata surpresa foi encontrar e comprar o meu suvenir preferido de toda essa viagem: um jogo de xadrez com peças que faziam referência às tropas espanholas e aos guerreiros incas. Por uma grana bem menor do que nas tabacarias brasileiras, hoje tenho um jogo para expor em minha casa. Não em cristal, mas em madeira. E, mais do que um xadrez belo mas ordinário, toda vez que olho para ele me lembro dos 20 dias em que vivi uma das experiências mais inesquecíveis da minha vida. A primeira batalha ocorreu ainda em Puno. Mudando a história, o exército inca se saiu vencedor. Para minha sorte, o Rafael, meu oponente, é um jogador mais fraco que eu. Azar para os espanhóis. Mas, melhor do que mudar a história, foi ver um pouco do resultado da história nesses três belos, diferentes e exóticos países de nosso continente.

Jogo de xadrez Incas x Espanhois
Outros Textos:

Parte 1

28 janeiro 2017

Pensamentos de um mochileiro: Chile, Bolívia e Peru (Parte 1)

Países visitados: Chile, Bolívia e Peru
Duração da viagem: 20 dias
Integrantes do mochilão: Eu (Danilo) e Rafael
Idiomas falados na viagem: Português, Portuñol (Português + Espanhol), Portuliano (Português + Italiano) e Inglês
Tempo de planejamento: aproximadamente 3 meses
Tipos de lugares visitados: Cidades grandes e urbanas, cidades pequenas, lagos, rios, deserto, montanhas, geysers, águas termais, ilhas e tribos
É preciso ser rico para viajar: NÃO!


PRAZER, DESERTO

Dia 28 de janeiro de 2017


Era o sétimo dia de viagem. Mas lá, ao contrário dos outros tantos momentos incríveis que já tive o privilégio de viver, as horas passavam devagar. Talvez fosse devido à paisagem quase monocromática que eu via há provavelmente mais de 10 horas seguidas pelas janelas do ônibus. Um marrom quase alaranjado. Ora montanhas, outrora nem isso. Sem sinal algum dos verdes tão visíveis das terras tupiniquins. Era uma paisagem muito diferente daquela que estive acostumado a enxergar no Brasil. Mas não era de forma alguma uma visão intimidadora ou tediosa. Aquela paisagem não fez com que eu me sentisse um forasteiro. Ao contrário. Uma estranha sensação de pertencimento me atingia. O deserto do Atacama, localizado na parte norte do Chile e, até então, um completo desconhecido para mim, me recebia de braços abertos. Isso, claro, considerando a terra quase infinita e um Sol intenso como um grande afago de ternura. E era. Ao menos para mim.

Ao meu lado, Rafael dormia. Eu, sentado na poltrona próxima da janela, ouvia músicas enquanto olhava para a imensidão do deserto, quase como numa meditação. De repente, o modo aleatório do meu playlist me tirou do transe num dos momentos mais simbólicos de toda a viagem.

"Gracias a la vida que me ha dado tanto..."                 (Graças à vida que me deu tanto)

A argentina Mercedes Sosa invadia meus ouvidos, cantando a música mais emblemática de uma das maiores compositoras folclóricas da América Latina: a chilena Violeta Parra. 

"Me dio dos luceros que cuando los abro                     (Me deu dois olhos que quando os abro
Perfecto distingo lo negro del blanco..."                      Distingo perfeitamente o preto do branco...)

Nesse momento me senti latino, algo tão distante de nós, brasileiros. Ainda que ouvindo uma música de um idioma que não é o meu, e que não domino, eu também pertencia àquele lugar.

"(...)Gracias a la vida que me ha dado tanto              ((...) Graças à vida que me deu tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario                        Me deu o som e o abecedário 
Con él, las palabras que pienso y declaro                  Com ele, as palavras que penso e declaro
Madre, amigo, hermano                                             Mãe, amigo, irmão
Y luz alumbrando la ruta del alma del que                E luz clareando o caminho da alma de quem 
estoy amando"                                                            estou amando)

Em pleno Atacama, uma lágrima teimou a descer dos meus olhos, como se uma gota pudesse umedecer o deserto mais árido do mundo. Mas aquela paisagem, somada à trilha sonora perfeita e uma sensação de liberdade foi uma das sensações mais fortes que já havia sentido.

"Minha casa está presa à vários balões, sendo possível tornar o meu lar em qualquer lugar" (Gabriel Feitosa)
Valle de la Luna

Dentro do ônibus se falava vários idiomas. Estranhamente, como eu e Rafael pudemos constatar e como virou quase uma regra em todos os três países que visitamos, havia turistas brancos de todas as formas e cores. Negros quase inexistentes. Dentre os de pele clara, um casal de japonês bastante exótico. Curiosamente, o ônibus foi o primeiro lugar que os encontramos. Mas não o último. Durante  todo o resto do nosso percurso pelo Chile e praticamente toda nossa vigem pela Bolívia, nós sempre cruzávamos com esse casal. É impressionante como viagens proporcionam encontros anônimos. Nunca trocamos uma palavra com eles. Não sabemos seus nomes, se realmente são japoneses ou de algum outro país oriental. E nunca descobriremos. Mas compartilhamos os mesmos ambientes e as mesmas paisagens.

Conheci tanta gente de tantos lugares, pessoas que se tornaram amigos verdadeiros ainda que por apenas alguns dias, e que nem barreira do idioma e nem a barreira cultural impediram de haver mais que comunicação, empatia. Certamente, quem faz guerra nunca viajou. Por isso, a arte e a viagem são as duas coisas mais próximas do humano que eu, humano, conheço. São  linguagens universais. Talvez existam outras. E, se existir, me falem.

Nas próximas semanas escreverei aqui no blog o roteiro exato da viagem, como alguns vem me pedindo. Roteiro em ordem cronológica, e não um texto que já se inicia falando sobre o sétimo dia de viagem. Mas as sensações são tão voláteis e inexatas, que achei que a urgência maior era essa. Mais que músicas, trilhas sonoras para sua viagem. Mais que lugares, sentimentos. Mais que culinárias, paladar.  Afinal, literatura combina tão bem com viagens, não é mesmo?

01 julho 2014

Nada

01 de julho de 2014

Desejo o nada
à quem me prometeu tudo - e apenas prometeu.
Este meu lado sombrio
que tu despertaste
Te envia agora o vazio,
o silêncio transmutado em palavras mudas.

A partir de hoje
a solidão te fará companhia.
À ti somente a melancolia.
A saudade do que jamais ocorreu.

Envio o nosso livro de páginas em branco sem história.
Com apenas um prefácio escrito
de promessas de um final feliz,
mas sem sequer um início.

Te desejo o mofo
o tédio da cidade pequena
o cheiro da casa guardada
o cotidiano e a rotina.

Te desejo o não-desejo
a perca da libido
que te tornes insone
que não sonhe
que perca
se perca
peque
peça
nade sem chegar.
Nade!
Nade!
Nada!
Nada!

30 junho 2014

Enterro

30 de junho de 2014

Todos andavam lentamente em direção ao corpo inanimado que, outrora, estava repleto de vida. O céu se mostrava triste, nublado e cinza, e o tempo, sem vento, dava a impressão de que aquele momento ficaria paralisado para sempre.

Logo atrás do caixão, caminhavam quatro beatas, que velavam o falecido com velas e lágrimas, sussurrando de forma ininterrupta uma reza indecifrável.

Eram quatro os homens que carregavam o caixão. Dois deles possuíam um corpo atlético. Destes, um usava camisa regata e, seus braços, fortes, inflavam devido ao esforço. Quatro dos presentes observavam o homem atlético dos braços despidos com desejo. Entre eles, uma menina de 15 anos. Entre eles, uma das tias do falecido. Entre eles, uma das beatas. Entre eles, um rapaz.

Três crianças estavam entediadas.

A maior parte dos adultos vestia preto. O restante optou por cores com tonalidade escura. Apenas um homem se destacava com sua camisa verde fosforescente.

Caminhavam na marcha fúnebre parentes do falecido. Amigos do falecido. A esposa e seus dois filhos. Sua amante. Conhecidos do falecido. E também pessoas que mal o conheciam, mas estavam lá por obrigação social.

Foram ditas 154 vezes a frase “meus pêsames” à viúva.

O corpo do falecido se encontrava pálido, como o de um morto. Gelado, como o de um morto. Mas ainda conservava um sutil sorriso irônico.

O coveiro já estava a postos. Trabalhava naquele ramo há vários anos e, de tantos anos, perdeu as contas de quantas covas abrira desde então. Aquela seria apenas mais uma, de mais um dia que preencheria sua rotina. As lágrimas dos outros já não o sensibilizava mais.

Era outono, e as árvores do cemitério tinham suas folhas secas. Pouco antes de baixarem o caixão para dentro da cova, uma leve brisa se iniciou e uma fresta de luz surgiu entre as nuvens.

Todos os presentes ficaram impressionados com essa mudança no tempo. Mas, não. Aquilo não era um sinal. Da mesma forma, um céu nublado não quer dizer nada além da possibilidade de precipitação e as folhas sem vida significam apenas que o outono chegou.

Quando o caixão encontrou, enfim, o seu inevitável destino, as nuvens, o vento e as variações climáticas continuaram alheias a tudo, seguindo seu curso natural.

Por mais que os entes queridos do morto quisessem, imaginassem ou sentissem, aquele falecimento era só mais um falecimento. Assim como todo nascimento é só mais um nascimento. Nada mudou. E a vida continuou a seguir seu ciclo natural.

13 janeiro 2014

Bois no rolê

Eles tinham caras de boi. Moravam bem longe, em suas casas de boi, e a distância era propositalmente grande. Comiam comidas de boi, mais especificamente ração - ou seria pão e circo? Vestiam roupas de boi, ouviam músicas de boi, andavam como bois, com bois, entre bois. Eram bois? Não. Mas, no final, sempre eram abatidos como tal.

Assim como os bois, que são contados por cabeça, eles também viravam simples estatísticas. Os homens da cidade não os conheciam pessoalmente, assim como não conheciam pessoalmente os bois de verdade, mas apenas por jornais ou pela televisão. A espécie dos dois grupos era a mesma. Mas viviam separados porque apenas um deles tinha pedigree.

Os bois, então, cansados de serem servidos no rolete, decidiram organizar um rolê. Os homens da cidade acabaram se assustando com os bois no rolê, afinal,  nunca tinham visto esses animais de perto. E os bois, pensavam consigo que aquela era a primeira vez que entravam no território destes outros animais: os homens.

Ninguém sabe ao certo o que originou o caos. Foi o instinto selvagem dos bois que floresceu sem que ninguém esperasse? Ou será que, cansados de serem tratados em seu próprio território como animais, os bois decidiram se rebelar contra os homens da cidade? Talvez os bois não sejam tão animais. Talvez os homens da cidade sejam também um pouco selvagens.

Sabe-se apenas que os bois foram proibidos de andar na cidade dos homens. Pensando bem, eles nunca foram permitidos por lá.

Mas, apesar de seu rolê ter sido proibido, até hoje, diariamente, um boi é servido no rolete.

03 janeiro 2014

Crise Gramatical

O papel era normal. Branco, tamanho A4, e as letras, juntas, formavam uma história interessante sobre algum personagem qualquer. Toda essa aparente tranquilidade foi quebrada, quando o Ponto de Exclamação começou a gritar enraivecido:

- Está tudo errado! Está tudo errado!

O Ponto de Interrogação logo questionou-o:

- O que houve, Exclamação? Por que está gritando?

- Eu não aguento! Aquela Cedilha é uma inútil! Não sei por que ela existe! Só atrapalha a minha vida!

A Interrogação avistou em um canto a Cedilha chorando inconsolavelmente, e decidiu tentar acalmá-la.

-Minha cara Cedilha, por que está chorando tanto? Não vê que não vale a pena dar importância para os ataques de fúria da Exclamação?

- Não é ‘iÇo’ não, Dona Interrogação. A Exclamação ‘diÇe’ que eu só atrapalho. Que a tal da ‘Letra Éçe’ é bem melhor que eu.

-Pare de choramingar! – interrompeu a Exclamação.

A Interrogação estava perdida. Não sabia o que fazer. Até que avistou o sábio Ponto Final e decidiu pedir ajuda.

- Sr. Final, você consegue ajudar a resolver o problema? Viu como está tudo bagunçado?

E realmente estava. Todos os pontos e até algumas letras mais curiosas tinham saído do seu lugar. O livro todo estava uma bagunça. O Ponto Final, com toda sua convicção, tentou acalmar as coisas.

- Dona Cedilha. Dona Exclamação. Aconselho as duas a colocar um ponto final em toda essa discussão.

- Mas é muito petulância mesmo! O Ponto Final pensa que tudo gira em torno dele! – respondeu, arrogante, a Exclamação.

-O que farei agora? – questionou-se a interrogação.

Cedilha continuava chorando. Ponto Final quase perdeu o controle. Exclamação berrava. Interrogação estava perdida. Até que a louca da Reticencia apareceu.

- Será que vocês... – disse a Reticencia mas, como sempre, sem completar a frase.

- Nós o quê? – perguntou a Interrogação.

- Você não acham...

- Cacete! Completa uma frase pelo menos, sua doida! – gritou a Exclamação.

- VOCÊS SE INCOMODAM DE EU NÃO COMPLETAR UMA FRASE, MAS NÃO LIGAM DO LIVRO ESTAR TODO BAGUNÇADO!? TEM UM CARA TENTANDO LER O LIVRO, MAS NÃO CONSEGUE LER UMA FRASE SEQUER. PREOCUPEM-SE MENOS COMIGO, E MAIS COM SEU TRABALHO! BANDO DE HIPÓCRITAS! – berrou a Reticencia, num lapso de lucidez.

Todos ficaram calados, espantados com Reticencia. Abaixaram as cabeças e voltaram a seus lugares. Tudo voltava ao normal.

- Será que... – disse para si mesma a Reticencia.

O Erro

Um corpo caiu do 10° andar.

Foi de encontro ao chão em uma velocidade surpreendente. A ciência diria que são os efeitos da gravidade, mas eu diria mais. De tão rápido que chegou ao solo, parecia estar escrito que aquele seria seu destino final. Por sorte, nenhum transeunte foi atingido.

Porém, não havia como o barulho passar despercebido. As pessoas, curiosas, chegaram mais perto. Havia pedaços para todos os lados. O chão foi tingido de vermelho. Ninguém entendia ao certo o que havia motivado a queda. Mas pôde-se avistar, no ultimo andar do prédio, uma pessoa aparentemente inquieta, debruçada em uma janela e olhando diretamente para o local.

- Aquela pessoa na janela deve ser o responsável! - gritou um dos curiosos.

Os transeuntes foram cada vez mais se aglomerando, sem saber ao certo que atitude tomar. Minutos se passaram até que uma pessoa se manifestou de forma inesperada.

- Acalmem-se. Isso não passa de um grande erro. - disse.

- O que quer dizer com isso? - questionou o outro.

- Eu sou o morador do décimo andar. Eu fui o responsável pela queda.

Os pedestres ficaram aterrorizados. "Mas então ele é o assassino?", questionou-se um. "Ligarei para a polícia!", pensou outro.

- Antes de tomarem qualquer atitude precipitada, lhes contarei o que está acontecendo. Eu estava em meu apartamento, sozinho, bebendo vinho como de costume. Em decorrência da alta temperatura, caminhei próximo da janela e, então, sem querer, aconteceu.

- Mas não faz sentido. Se você estava sozinho, como isso pode ter acontecido? - questionou o grupo.

- Nós todos somos personagens de um conto. Eu apenas derrubei um copo de vinho pela janela do apartamento. O escritor deste conto é que cometeu um equívoco. Ao invés de escrever COPO, digitou CORPO. Não há um assassinato aqui, apenas um erro de digitação.

As pessoas olharam para o copo estilhaçado no chão. A faxineira já se encarregava da limpeza. As pessoas começaram a voltar para seu cotidiano. E o morador do 10° andar ficou triste, pois aqueles eram os últimos mililitros de seu melhor vinho.

30 abril 2012

Não é só uma rua com nome de data

A 13 de maio, em Campinas, já é singular por ser a única calçada com nome de rua da cidade. Na verdade, é um grande calçadão. Ao contrário dos calçadões do Rio de Janeiro, este não é margeado pelas belezas naturais, pelo Cristo Redentor ou por corpos de mulheres semi-nuas esculpidos por horas de academia ou de cirurgias plásticas. O calçadão campineiro é um grande centro de comércio popular do interior paulista.

Até mesmo na longínqua época em que frequentar o centro de Campinas denotava um caráter de requinte e socialização, a "Treze" - como é conhecida pelos íntimos - já era um dos símbolos da cidade. Ligava a antiga estação de trem da Mogiana, onde circulavam centenas de pessoas diariamente, com a Catedral Metropolitana, ainda tão imponente quanto antes, mas rodeada pela degradação que se alastrou por toda região central.

A 13 de maio é mais que uma rua com nome de data. Ela é a síntese de Campinas. Lá, o antigo disputa constantemente espaço com o novo. Lá, a riqueza dos bancos contrasta com a pobreza dos pedintes. Lá, o profano mundo das compras não consegue deixar de ouvir as pregações dos pastores que berram em nome de Deus; o inverso também é verdadeiro. Lá, a violência - eu já fui assaltado na 13 de maio - convive de forma espantosamente harmoniosa com as cabines de polícia em frente à Catedral. Lá, há sujeira no chão e garis recolhendo lixos, mal cheiro em alguns cantos e lojas de perfume de marca em outros. Há até um certo "politizador" cobrando dos políticos da cidade medidas para recuperar o dinheiro desviado de um recente escândalo de corrupção, mas se esquecendo ele mesmo que foi eleito e exerce cargo de vereador.

Esta rua é, talvez, o único lugar da cidade capaz de resumi-la, com toda sua modernidade e saudosismo, religiosidade e profanismo, violência e segurança, pobreza e riqueza, cobrança e corrupção. E é isto que faz da Treze um lugar tão especial.

01 março 2012

Dona Campinas e Seus Três Maridos

Não é de hoje que Dona Campinas sofre.

Ela não tem sorte no amor. Seu primeiro marido, um tal dotô, só se aproveitava dela. Usava o dinheirinho que ela guardava com tanto suor para farrear com uns amigos. E como farrearam! Chegou ao ponto de Dona Campinas não ter dinheiro sequer para pagar a conta de água, vê se pode?

Até mesmo o Sr. Correio, figura Popular lá nas redondezas e que dizia ser seu amigo, virou as costas e não escreveu uma cartinha sequer para lhe reconfortar. Dizem as más línguas que ele tinha conhecimento dos DESVIOS de caráter do doutor, mas vai saber, não é mesmo? Melhor manter distância!

O casamento foi se desgastando. Dona Campinas descobriu que, além dos amigos, seu marido tinha outra mulher que também farreava às suas custas. Optou pelo divórcio. O doutor então sumiu, ninguém sabe ninguém viu. Seus mais de 10 filhos - ou seriam mais de 1 milhão? - ficaram órfãos de pai.

Mas não tardou até ela se engraçar com outra figura. Apelidaram o tal de "vice-marido", já que ele conhecia e andava no mesmo círculo de amigos do desaparecido doutor. Há quem diga até que frequentava as festinhas junto com ele. Verdade ou não, amor não se discute. Mas parece que foi só paixão passageira. Brigaram, reataram e depois tornaram a brigar. E o vice-marido, que já não era mais vice, acabou se tornando ex.

E agora, ao invés de ter sossego, a coitada da Campinas está com um novo affair. Ao que tudo indica não é nada oficial, já que seus filhos nem conhecem direito o sujeito. Mas Campinas continua triste. Não consegue pagar bons estudos pra criançada, anda meio mal de saúde e já há um bom tempo que não vai ao teatro. Não tem estrutura pra tanto.

Bancar maridos e seus amigos custa caro! O jeito é mesmo ficar sozinha. Coitada de Campinas, tão bonita mas tão sofrida!

29 julho 2011

Por Uma Vida Menos Medíocre

Eu sou assim. Nem gordo, nem magro. Estatura média, classe média, ensino médio completo, ensino superior ainda pela metade. Eu minto e falo mal dos outros pelas costas como qualquer um - mas dificilmente assumo isso publicamente. Tenho vários amigos, conheço bastante gente, gosto de festas, música, internet. Leio menos do que deveria, escrevo menos do que deveria, sou sedentário.

Saio de casa para trabalhar antes das 6h da manhã - ainda está escuro. Chego da faculdade depois das 23h - já está escuro. Moro numa cidade medíocre, assisto a programas de televisão medíocres - jamais aos ruins -, uso do sarcasmo para me defender, uso da discrição para me defender, mas nunca saio no braço com ninguém como estratégia de defesa, pois corro o risco de apanhar.

Sou calmo, preguiçoso e irritantemente normal. Há muito tempo atrás me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, e pra essa pergunta já dei diversas respostas diferentes. Hoje, tenho certeza do que responderia: "Gostaria de ser menos medíocre".

05 junho 2011

Contradições Onipotentes

Eu sou Deus. Eu posso tudo. Eu sou a personificação do amor. Tema-Me.

Eu escrevo certo por linhas tortas. Se você está bem, é porque Eu permiti. Se você está mal, é culpa de seus pecados; não tenho nada a ver com isso. Cada um planta o que colhe. Eu adoro ditados populares.

Ama-Me acima de tudo. Ame Meus discipulos. Ame Meu filho que morreu na cruz por causa de você. Há nepotismo no céu.

Ame a igreja que matou milhares na santa inquisição. Ou então faça sexo apenas para se reproduzir, use saia longa, não corte nem pinte o cabelo e grite a Minha palavra nos terminais rodoviários pra pessoas que não querem ouvir. Jamais se esqueça dos 10%.

Se confesse para um padre pecador. Coma um pedaço de pão sem fermento. Meu sangue é uma bebida alcoólica.

O capitalismo não é algo cristão. Compre nas lojas da Basílica, no McDonald do templo e faça o mercado gospel faturar milhões em nome de Mim.

Eu sou Deus. Você é livre para fazer o que pensa... então não ouse questionar a Minha palavra!

09 setembro 2010

O Poeta Morreu

O poeta morreu.

A cidade ficou um tanto cinza, desbotada, desversada.
O mais estranho de tudo é que todas as coisas continuavam no mesmo lugar, indiferente à morte do poeta.

O pedreiro continuava a construção da casa. A cozinheira fazia o almoço da família. O empresário contratava e demitia. As crianças iam à escola.

Nada mudou. Mas houve mudança.

A partir de agora, quem iria observar a suavidade do pássaro ao voar, o nascer imponente do Sol ou o silêncio inquieto da noite? Nem o pedreiro, a cozinheira ou o empresário iriam fazer isso.

A cidade e as coisas estavam tristes, não porque havia de fato acontecido alguma mudança, mas porque não havia mais ninguém capaz de reparar na beleza da vida. Observar e dar significado às coisas era função do poeta.

A poesia também morreu.

07 outubro 2009

A Perseguição

Estava andando sem ter ao certo uma direção. O Sol estava escaldante. Não tinha um objetivo definido. Eu apenas andava. E, andando, tive uma intensa sensação de estar sendo seguido e observado.

Olhei para trás. A rua estava calma e estranhamente normal. Não havia nada. Seria este um breve surto?Prossegui em meu caminho. Porém, a sensação continuava me acompanhando. Olhei para trás novamente. Desta vez, com mais atenção, pude reparar que uma borboleta voava em minha direção. Nada que me fizesse parar de andar.

Mas era inegável: eu sabia que estava sendo perseguido. Acelerei o passo. Estava começando a ficar aflito. Parei de andar e tornei a olhar para trás. Pude ver a mesma borboleta de outrora. Seria ela a causa do meu desconforto? Uma mísera e inútil borboleta estava me deixando paranóico? Não era possível!

Pois ela continuava vindo em minha direção, até pousar em meu braço. Era uma das criaturas mais bonitas que já tinha visto. Sua cor fogo contrastando com o negro de suas asas. Olhei fixamente para ela. Havia algo místico neste momento que não sei ao certo explicar.

Ela parecia calma. Lentamente, fui aproximando a minha mão, de modo a protegê-la da luz do Sol. Foi então que dei um tapa na borboleta. Ela caiu morta. Prossegui meu caminho, e mais nenhum outro bicho ousou me seguir.

FIM

Obs - Confesso, na minha cabeça esse texto ficou bem mais legal :S

18 julho 2009

Enfim, Livre

Hora de acordar!

Acorda! Acorda! Se não você se atrasará para o trabalho.
Diga bom dia para seus pais (todo bom menino deve dizer!).

Arrume a cama, escove os dentes, tome um bom banho. Higiene é fundamental. Só não demore muito para não disperdiçar a água.
Rápido, arrume suas coisas; você está atrasado!

Saia de casa, pegue um ônibus.
Diga bom dia a quem você conhece. Para os outros não precisa.
Dê lugar aos mais velhos.
Puxe a cordinha quando você for descer.

Venda! Venda! Venda! É pra isso que você recebe seu salário todo dia 1°. Então, seja um bom menino e convença os outros a comprar sua mercadoria.

Olhe para os dois lados quando for atravessar a rua.
Atravesse na faixa de pedestres.
Pare, sinal vermelho; sinal verde, agora já pode atravessar.

Hora de almoçar.
Vamos, só falta mais um pouco pra você ir embora!
Hora de ir embora!
Pegue o ônibus. Está um tanto cheio.
Chegue na sua casa.
Diga como foi o trabalho.
Jante em família.

Sua mãe logo irá assistir a novela das 8. Seu pai logo irá dormir. Seu irmão está na internet. Estude um pouco.
O tempo passa. Agora é sua vez de entrar na internet. Veja seus emails, entre no Orkut, converse no MSN, poste no blog.
Já está tarde. Hora de deitar. Enfim, livre.
Mas por pouco tempo.

Hora de acordar!