O poeta morreu.
A cidade ficou um tanto cinza, desbotada, desversada.
O mais estranho de tudo é que todas as coisas continuavam no mesmo lugar, indiferente à morte do poeta.
O pedreiro continuava a construção da casa. A cozinheira fazia o almoço da família. O empresário contratava e demitia. As crianças iam à escola.
Nada mudou. Mas houve mudança.
A partir de agora, quem iria observar a suavidade do pássaro ao voar, o nascer imponente do Sol ou o silêncio inquieto da noite? Nem o pedreiro, a cozinheira ou o empresário iriam fazer isso.
A cidade e as coisas estavam tristes, não porque havia de fato acontecido alguma mudança, mas porque não havia mais ninguém capaz de reparar na beleza da vida. Observar e dar significado às coisas era função do poeta.
A poesia também morreu.
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