BRASIL: UMA PANELA DE PRESSÃO (OU ESTAMOS PERDIDOS)

O QUE ACONTECERÁ QUANDO A PANELA DE PRESSÃO EXPLODIR?

(SEM) INSPIRAÇÃO

HOJE ACORDEI INSPIRADO. MAS ACHO QUE EXPIREI.

SOBRE SER CULTO

A VIDA NÃO SE RESUME AO FACEBOOK.

A REVOLUÇÃO DOS MACACOS

SOMOS TODOS MACACOS, ALGUNS MAIS MACACOS QUE OUTROS.

NU

HOJE ME DEU VONTADE DE ESTAR NU.

20 maio 2014

(Sem) Inspiração

20 de maio de 2014

Hoje acordei inspirado.
Mas acho que expirei.
A inspiração sumiu.
Como ela aparece? E como some?
Qual sua receita, seu caminho, sua regra?
Minha inspiração é um aperto na boca do estômago que só é vomitada por palavras.
Talvez ainda esteja aqui dentro e eu só a tenha perdido.
Como escrever sem inspiração?
Não importa. Escreverei mesmo assim.



12 maio 2014

Brasil: Uma panela de pressão (ou estamos perdidos)

12 de maio de 2014

Até as manifestações ocorridas em junho de 2013, eu jamais havia presenciado uma grande mobilização popular no país. A última de grandes proporções havia acontecido em 1992, os chamados caras-pintadas, quando eu não havia completado nem 2 anos de idade e, dessa forma, não estava consciente do que ocorria.

De 1992 pra cá, o Brasil mudou. Nós, da geração Y brasileira, crescemos com a sensação de uma certa liberdade, otimismo e estabilidade econômica - ao menos se comparada com os tempos da ditadura, recessão e hiperinflação vividos por nossos pais. E essa aparente tranquilidade abafou por mais de duas décadas um de nossos principais problemas: a instabilidade social.

Insegurança. Segundo levantamento divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), arma de fogo mata mais pessoas no Brasil do que no Iraque. O nosso pacífico país, com um número de habitantes que representa 2,8% da população mundial, registra 11% dos homicídios em todo o planeta. De acordo com o Escritório sobre Drogas e Crime das Nações Unidas, o Brasil possui 11 das 30 cidades mais violentas do mundo, se consideradas apenas aquelas com mais de 100 mil habitantes. No ano de 2012 visitei a cidade do Rio de Janeiro por duas vezes e um jornalista de uma grande emissora carioca (sim, essa mesma que vocês estão pensando), me disse em uma daquelas conversas de boteco que as chamadas UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) eram uma farsa, conversa pra gringo ver, indo contra o que eu assistia e lia até então nos meios de comunicação, que vendiam o projeto como algo revolucionário. Quem diria que pouco mais de um ano após essa conversa, o caso Amarildo viria à tona, mostrando as falhas e o autoritarismo do qual as comunidades estão expostas. Afinal, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou em matéria do site UOL, o caso Amarildo "não se trata de um fato isolado". Além disso, uma amiga e advogada criminalista afirmou que há uma intensa movimentação nos presídios, onde seus "moradores" afirmam que ainda neste ano haverá uma grande mobilização exigindo melhor qualidade nas penitenciárias. E essa má estrutura não é de forma alguma novidade no Brasil. O último caso de repercussão nacional foi a tortura realizada entre presos no Complexo Penitenciários de Pedrinhas, em São Luís (MA).

Transporte e mobilidade urbana. O tema que foi o estopim das manifestações de 2013 não apresentou melhoras. Empresas de transporte continuam lucrando alto para um serviço de baixa qualidade, enquanto transportes alternativos como trens, metrôs, ciclovias e transporte público marítimo são promessas ou, se existem, não suprem a demanda, seja por incapacidade administrativa ou corrupção, como demonstra a denúncia de corrupção nos metrôs da cidade de São Paulo.

Educação. O Brasil ocupa o 88° lugar na educação, em ranking elaborado pela Unesco, que conta com 127 países. Estão na nossa frente países como Azerbaijão, Tonga, Botswana, além das "mal faladas" Cuba e Venezuela.

Corrupção. Não serei redundante.

Gastos com a Copa do Mundo e Olimpíadas. Além da alta quantidade de dinheiro envolvida para sua realização e da corrupção evidente, são dois momentos em que o Brasil será o centro do mundo, boa oportunidade para manifestações ganharem destaque e força.

Imprensa tradicional. Os grandes meios de comunicação estão sendo cada vez mais desafiados, seja por meios alternativos como  internet, ou presencialmente, como se viu nas manifestações do ano passado e em outras oportunidades.

Insatisfação. Ser brasileiro é caro. Somos um dos que mais pagam impostos do mundo e temos o pior em termos de qualidade dos serviços públicos prestados à população, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Insatisfação também com o desempenho da presidente Dilma Roussef, seja por motivos políticos ou pessoais. Insatisfação com a situação e oposição. Insatisfação com a imprensa. Insatisfação até com mesmo as manifestações. Há um descontentamento generalizado, de todos com tudo, e com razão. Estamos dentro de uma panela de pressão insustentável. Também estamos perdidos, numa mistura perigosa de revolta e indiferença.

Dilma Roussef, Aécio Neves ou Eduardo Campos? Ou ainda alguma zebra? Talvez o personagem mais importante do Brasil na próxima década não seja um político, mas sim o povo, para o bem ou para o mal. Mas o que o faremos deste país, essa é a verdadeira incógnita. O que acontecerá quando a panela de pressão explodir?

09 maio 2014

A Floresta de Thoreau

9 de maio de 2014

Eu não estou na floresta de Thoreau.

Não há mapa. Pergunto o caminho, mas ninguém sabe. Não há placas. Não há guias. Os pontos cardeais não constam na bússola. O GPS ainda não calculou sua rota. O Google Maps não a localizou.

Dizem que a terra por onde andam os poetas mortos é repleta de vida. Porque viver é mais que respirar. Porque viver é mais que um coração pulsando.

Estou à sua procura. Chegando ao destino que não sei onde é e não sei onde fica. Que não sei se chegarei. Às vezes tão longe. Às vezes tão perto. Às vezes.

Não quero não viver.

“Eu fui para a floresta porque queria viver deliberadamente! Eu queria viver profundamente e sugar toda a essência da vida. Queria acabar com tudo que não fosse vida. Para que quando chegasse a minha morte, eu não descobrisse que não vivi.” (Henry David Thoreau)

28 abril 2014

A revolução dos macacos

28 de abril de 2014

A repercussão da resposta do lateral-direito do Barcelona e jogador da Seleção Brasileira Daniel Alves a um ato de racismo durante um jogo válido pelo campeonato espanhol se viralizou pela internet. Enquanto se preparava para cobrar o escanteio, uma banana foi jogada em direção ao jogador que, sem pensar duas vezes, foi em direção à fruta, descascou, comeu, e cobrou o escanteio como se nada tivesse acontecido. Em apoio à atitude, diversos artistas, atletas, políticos e anônimos aderiram à "campanha" criada pelo atacante da seleção Neymar em sua conta no Twitter, intitulada #SomosTodosMacacos.

De repente, o país que passou mais de 300 anos de sua história impondo a escravidão aos negros, e que ainda não conseguiu reparar os estragos decorrentes dela, se tornou a terra dos macacos. De fato, somos um dos povos mais miscigenados do mundo, porém, ainda assim, persiste no Brasil uma profunda desigualdade entre a cor de pele.

Segundo dados do IBGE 2010, no que se refere à renda, os rendimentos recebidos pelos brancos correspondem ao dobro dos pagos aos pretos na região Sudeste, a mais desenvolvida do país. A menor diferença é observada na região Sul, onde a população branca ganha 70% mais que aquela que se autodeclarou preta.

Na educação, enquanto 5,4% dos que se autodeclaram brancos são analfabetos, essa porcentagem sobe para 13% e 14,4% para pardos e negros, respectivamente.

Na saúde, não é diferente. Segundo dados apresentados pela Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Governo Federal, 41,5% das mulheres negras com mais de 40 anos nunca fizeram mamografia - contra 26,7% das mulheres brancas com a mesma idade. A desigualdade se estende aos exames de colo de útero (18,4% das mulheres negras nunca fizeram, contra 13% das mulheres brancas).

Isso sem falar nos meios de comunicação, nas referências infantis, cinema nacional, teledramaturgia. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Brasil, se dividido pela cor da pele, seria dois países distintos. Um, formado por uma população branca, ocuparia a 65ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Outro, de negros e pardos, estaria relegado ao fim dessa fila, no 102º lugar.

A campanha, vista a olhos inocentes, é bonita, propondo que todos somos iguais. Porém, a realidade, mais cruel, me fez lembrar do clássico livro "A Revolução dos Bichos", do escritor George Orwell. Somos todos macacos, alguns mais macacos que outros.

17 abril 2014

A Vida

17 de abril de 2014

A Vida é curta.
Curta A Vida.
A Vida é um curta.
A Vida é um cu. Digo... ânus.
Quantos anos ainda temos?
Mais de um, eu espero.
Esperança é a última que morre.
Morte. O fim.
E é com o fim que encerrarei essas linhas.
Não posso me estender, pois já lhes disse que A Vida é curta.
Será que vocês curtiram A Vida?
Fim.

27 março 2014

Esquetes

27 de março de 2014

Disse, olhando no fundo dos meus olhos, que me amava. Mentiu.

Ele queria chorar. Sorriu.

Deu cambalhotas, chamando a atenção. Foi o centro da atenção. Chamou a atenção.

Ela puxou assunto comigo e, distraída, se esqueceu do que iria falar. Deu branco.

Ele, ao tomar banho, cantou no chuveiro e imaginou que era um grande popstar. Usou a imaginação.

Contou histórias para seu filho antes de dormir.

Ele ouviu o sinal no pátio da escola. Hora de começar os estudos.

Ela escorregou no cocô de um cachorro e, ao cair, quebrou a perna. Gritou MERDA! Mal sabia que, se a nossa vida é um teatro, ao quebrar a perna e gritar merda, ela teria um dia de muita sorte.

Dia 27 de março. Feliz Dia Mundial do Teatro à todos os atores de teatro ou da vida. Porque o teatro é de todos nós.

19 março 2014

Nu

19 de março de 2014

Hoje me deu vontade de estar nu. Nascemos nus. Nus e sem pelos. Pelados em pelo. Somos naturistas em essência. Porém, aos poucos, vamos nos vestindo. “Olha só que lindo, o primeiro sapatinho”, diz, orgulhosa, a mãe da criança que ainda não sabe andar.

Quanto mais se cresce, menos se despe. Usamos roupas para que os outros não nos vejam nus. O nu fica restrito. Banho, sexo, arte. A arte, sim, sabe reconhecer o quão belo é o nu. Não só de playboy e filmes pornôs vive a nudez. Esculturas com seus pênis à mostra. Quadros com mulheres expondo suas belas curvas desvestidas. Teatro, cinema. O artista se despe dos pudores adquiridos ao longo da vida, e volta a ser uma criança pelada.

Estaria a criança pelada na vanguarda da sociedade? Afinal, desafia, ainda que de forma inconsciente, os princípios morais vigentes. Há algo de sacro e hipnótico na nudez. Não há sujeito mais livre que o despido. 

Hoje vou tirar minha roupa. Vou me despir de minha moral. Que todos sejamos nus, livres e sem pudor, como crianças peladas ao nascer.



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NAKED

March 19th, 2014

I want to be naked today. We are all borned naked. Naked and hairless. Peeled in at. We are naturists in essence. But, gradually, we will wearing. "Look how beautiful: the first shoe," she says proudly, the mother of the child who cannot yet walk.


The more the time goes, less we undresses. We wear clothes for that others do not see us naked. The nudity is restricted. Shower, sex, art. The Art can recognize how beautiful it is bare. Not only Playboy and porn movies the nudity can exist. Sculptures with his penis exposed. Frames with women exposing their beautiful desvestidas curves. Cinema. The artists undresses of compunction acquired throughout life, and they back to be a naked child.

Was the naked child at the forefront of society? After all, they challenges, albeit unconsciously, the moral principles in force. There is something sacred and hypnotic in nudity. No one are freer than the naked person.
Today I'll take my clothes off. I will undress my morale. I hope we can be all naked, free and without shame, as naked children at birth.