BRASIL: UMA PANELA DE PRESSÃO (OU ESTAMOS PERDIDOS)

O QUE ACONTECERÁ QUANDO A PANELA DE PRESSÃO EXPLODIR?

(SEM) INSPIRAÇÃO

HOJE ACORDEI INSPIRADO. MAS ACHO QUE EXPIREI.

SOBRE SER CULTO

A VIDA NÃO SE RESUME AO FACEBOOK.

A REVOLUÇÃO DOS MACACOS

SOMOS TODOS MACACOS, ALGUNS MAIS MACACOS QUE OUTROS.

NU

HOJE ME DEU VONTADE DE ESTAR NU.

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20 junho 2017

A postagem que não é 2

Dia 20 de junho de 2017


Eu não tenho nada a acrescentar a quem ler a esta postagem.

Esta postagem não usará de uma linguagem sofisticada ou revolucionária. Ela não preencherá o vazio de sua existência. Você não se lembrará dela daqui há dois dias.

Essa postagem não é arte. Sequer é literatura. É o oposto da poesia, da prosa e da crônica. Esta postagem é uma anomalia. Não a leia.

Não é poesia para recitar. Não é verso para declamar. Não é gostosa de ouvir. Não rima. Soa torta. Não é sequer dadá. Este texto - se é que podemos chamá-lo assim - não será objeto de análise. É a perda do seu tempo, é a abstração de tudo o que é inútil, é a personificação do vazio.

De tudo o que ela é, não se tiraria sequer uma linha. A sua imensidão está em tudo o que ela nega. O contrário do que existe. Tudo o que sei sobre essa postagem é que ela não é. E por que haveria de ser?

15 março 2012

Ensaio sobre a dúvida

Este é um tempo bem diferente da época em que Hamlet¹ disse a célebre frase "tudo o que sei é que nada sei". A filosofia da vida moderna diria que "tudo o que sabemos é que tudo temos que saber".


A ciência e a religião, cada uma de seu próprio modo, para o bem e para o mal, embutiu na humanidade ao longo dos tempos que bom mesmo é ter certeza. Quer seja a certeza científica ou a certeza religiosa, elas deletaram de nosso pensamento o ponto de interrogação. "Dêem-me o benefício da dúvida!", esbravejaria Antônio Abujamra² em seu programa. A partir do momento em que vivemos no mundo das certezas, desaprendemos a fazer questionamentos. Precisamos todos de um pouco de Sofia Amudsen, para que possamos nos perguntar quem somos nós e de onde viemos.

Me incomoda imensamente quando ouço alguém dando opinião supérflua sobre assuntos que nem de longe dominam. Me incomoda mais ainda quando me pego fazendo o mesmo. Cadê as interrogações? Só ouço exclamações e ponto final! Já que vivemos numa época de certezas, tenho a certeza de que deveríamos voltar a ter dúvidas.



¹Personagem do livro homônimo de Shakespeare
²Apresentador do programa Provocações, da TV Cultura
³Personagem do livro 'O Mundo de Sofia'

30 setembro 2010

Ensaio Sobre a Morte

Nesta semana vi minha primeira morte.

Trabalho em um posto de saúde de Sumaré. Na última terça-feira estava marcando exames normalmente, até que percebo uma grande movimentação. Duas enfermeiras saem correndo. Minha chefe volta da rua a grita "Danilo, liga pro 192 porque tem uma mulher passando muito mal!".


Liguei para a emergência e descobri, no meio da ligação, que não sabia dar informação alguma à moça do 192. Corri para a calçada para passar o telefone para alguém que estivesse mais por dentro da situação. Do lado de fora vi uma mulher um tanto obesa deitada no chão de uma garagem. Mais tarde fui saber que aquela era a casa dela. Mais tarde fui saber que, por irônia do destino e incompetência médica, ela acabara de receber alta do Hospital Estadual de Sumaré.

Mas a mulher não estava sozinha. Três enfermeiras do posto prestavam os primeiros atendimentos. Um médico que também trabalha comigo fazia massagem cardíaca. Suas duas filhas estavam postas de pé, chorando.
"Ela tem edema pulmonar, é diabética e hipertensa", disse uma das filhas ao médico, ao ser questionada sobre a saúde da mãe. Isso me fez entender mais a fundo a gravidade do caso. E fora nós que estávamos, de alguma forma, tentando ajudar, havia mais de uma dezena de pessoas, incluindo alguns funcionários aleatórios do posto, ao redor do corpo inanimado. Mais que uma possível morte, para alguns aquilo era um show mórbido do qual se deliciavam. Era mais que curiosidade. Era vontade. Vontade de ver. Havia um mistura de expectativa e excitação nas pessoas.

Entreguei o telefone para uma das enfermeiras e saí. Voltei ao meu serviço. Eu não sou médico ou enfermeiro. Não podia ajudar, não queria atrapalhar e... não gosto de Brasil Urgente.

Quase uma hora depois recebemos a notícia que a mulher havia morrido. Não costumo ser muito sentimental e não cheguei a ficar triste, já que não conhecia a mulher. Mas fiquei pensando no quanto a vida é efêmera. Ao presenciar, mesmo que indiretamente, a morte de uma pessoa, acabei me sentindo mais vivo. Esta será uma experiência que jamais vou esquecer. Não somos preparados para a morte. Ser obrigado a encará-la nos faz rever alguns de nossos conceitos.
Que possamos aproveitar todo o tempo que nos resta.
Carpe Diem!

19 junho 2010

Ensaio sobre o Nada

Na verdade, eu não sabia sobre o que escrever.

Para encontrar um bom tema para um blog é preciso tempo para pensar. Infelizmente, final de semestre é uma correria tão grande que não estou com tempo para pensar por hobby, mas apenas para a faculdade e o serviço. O que, de fato, é algo irônico, já que acabei de ler e fazer um exercício sobre um livro que se chama 'Perca tempo', que critica o modelo atual da sociedade, que está nos transformando em máquinas e nos deixa sem tempo para realizar o ato de pensar.
Então, já que estou sem ideias, por que não escrever sobre o nada? Por que não escrever sobre o não-saber-sobre-o-que-escrever?

Os filósofos da Grécia antiga debatiam sobre o que é o nada. Hoje em dia, se alguém debater sobre o mesmo tema, será chamado de vagabundo. O que seria o vagabundo senão aquele que pratica o nada? Quando foi que o nada, que o ócio, que o não-fazer se tornaram nossos inimigos?

Acho que nunca a humanidade observou e meditou tão pouco. Talvez nos falte poesia, rebeldia. Talvez nos sobre alienação e distúrbios psicológicos. José Saramago já não se encontra mais entre nós. Concomitantemente a isso, Geisy Arruda lança um livro. Precisamos de heróis... onde estão todos os heróis? Será que se mudaram para Crypton? Estamos todos entrando em um certo desespero, pois não fazemos nada porque fazemos tudo, e só fazemos tudo porque não fazemos nada. Não podemos deixar essa realidade nos consumir. Pare. Leia. Reflite. Pense. Ou, pelo menos, uma dessas coisas. Não vamos deixar que a roda-viva carregue nosso destino pra lá.


"A realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife…” Woody Allen

O que isso tem a ver com o nada? Nada.