BRASIL: UMA PANELA DE PRESSÃO (OU ESTAMOS PERDIDOS)

O QUE ACONTECERÁ QUANDO A PANELA DE PRESSÃO EXPLODIR?

(SEM) INSPIRAÇÃO

HOJE ACORDEI INSPIRADO. MAS ACHO QUE EXPIREI.

SOBRE SER CULTO

A VIDA NÃO SE RESUME AO FACEBOOK.

A REVOLUÇÃO DOS MACACOS

SOMOS TODOS MACACOS, ALGUNS MAIS MACACOS QUE OUTROS.

NU

HOJE ME DEU VONTADE DE ESTAR NU.

06 junho 2014

Hábraço?

6 de junho de 2014

Precisamos trabalhar mais nossos abraços.
Antes até do que o beijo, mais até que do que a palavra.
Não ter medo da distância que diminui.
Do corpo com corpo
que, de tão próximo,
quase se torna um.

Sentir a respiração do outro.
Sem tapinhas desajeitados nas costas.
Abraço bom tem pressão,
troca de calor e de energia.
Hoje vou abraçar o mundo,
começando pelo primeiro desconhecido que encontrar na rua
sem pedir permissão.

04 junho 2014

Tragédia cotidiana

4 de junho de 2014

Acordar, trabalhar e dormir. No meio disso, comer, beber, mijar, cagar e se limpar. Para realiza-los, falar, andar, ouvir, pensar e mover. O coração bate, o pulmão respira. Compras, às vezes. Viagens, às vezes. Mesmos lugares, mesmas pessoas, mesmas conversas.

Nelson Rodrigues e suas tragédias. Teatro grego e suas tragédias. Mas a maior de todas é a do cotidiano. Dura uma vida e, de tão trágica, não se transforma em peça teatral.

01 junho 2014

X-Men: Um filme sobre nós

1 de junho de 2014

X-Men não é uma história de mutantes. Ou melhor, é bem mais que isso. O novo filme da série, intitulado "X-Men - Dias de um futuro esquecido", fala sobre nós. E é por esta razão que Wolverine e sua trupe conseguem fazer desta, uma obra equivalente aos ótimos "Batman - O Cavaleiro das Trevas" e "Watchmen", e superior a quaisquer outros heróis, sejam de Stan Lee ou outro autor.

A película se inicia num futuro apocalíptico, onde mutantes estão sendo aniquilados por robôs adaptáveis chamados de Sentinelas. Resta a Wolverine voltar no tempo e tentar reescrever a história. E, neste passado, vemos um Professor Charles Xavier amedrontado, um Magneto consciente de seu lugar e uma Mística que se torna a chave de toda a história. A saga dos mutantes não trata de heroísmo, mas sim de sobrevivência. É a história de uma minoria fantástica e com um potencial incrível que é subjugada por sua aparência e por sua diferença, e que luta, cada qual a sua maneira, por respeito e reconhecimento.

Mística é, talvez, a personificação desta ideia. Transmorfa, pode ser quem quiser. Mas ela não quer ser ninguém além dela mesma. Assim como os integrantes de todas as minorias, sejam elas reais ou ficcionais, Mística não pediu para nascer assim. Ao mesmo tempo, não tem vergonha do que é. Ao contrário, sem essa diferença seria outra pessoa, uma pessoa que não quer ser. Mística é o que é. Assim como todos deveríamos ser o que somos.

Em "X-Men - Dias de um futuro esquecido" não há dicotomia entre bem ou mal porque, assim como na vida real, não há personagens com escolhas totalmente corretas ou equivocadas. O filme angustia. Em parte pelo sofrimento de personagens queridos e em outra por identificarmos semelhanças entre o nosso mundo e o deles. Ao final da película, os mutantes mostram que, apesar de seus poderes, não são invencíveis. Porém, conseguem nos fazer refletir, pois têm algo que Super-Man e Capitão América jamais terão: humanidade.

28 maio 2014

Não existe amor em Campinas

28 de maio de 2014

Ei, Criolo. Campinas também é um labirinto. Menor e menos místico, mas ainda assim um labirinto. Aqui, gritam mais as pichações que os grafites. Gritam e nos questionam: Seriam crimes, ou formas de expressão? Não dá pra entender... ou não queremos nem pensar.

Os cartões postais não têm frases. Na verdade, são poucos os cartões postais daqui. A maior parte foi demolida, juntamente com sua história. Nos resta um castelo sem rei, um navio em ruínas, uma estação ferroviária de trens dormindo, um mercado popular de iguarias e um teatro bonito... porém, menos bonito que um outro demolido décadas atrás.

Os bares, os shoppings, as baladas, as igrejas, as lojas, as ruas e esquinas estão cheios de almas vazias. E de almas cheias. E almas negras, brancas, pardas e amarelas. Amarelas principalmente em lojas de R$1,99 do centro. Que não vendem mais produtos por R$1,99.

A ganância vibra, e a vaidade, o Itatinga e algumas esquinas do centro excitam. Excitam?

Devolva a minha vida... meu tempo desperdiçado nos intermináveis congestionamentos de carros e de pessoas em ônibus lotados que, muitas vezes, não cumprem horário. Devolva meu dinheiro perdido pela ganância e corrupção de quem já esteve no poder. Aqui, eles não vão para o céu... espero.

Encontro duas nuvens nos escombros da antiga rodoviária. E é um dos únicos pontos da região central, cheia de prédios, em que ainda consigo ver duas nuvens e uma fresta maior do céu.

É verdade, Criolo. Não precisa morrer pra ver Deus. Mas é preciso viver pra conseguir observar as pequenas coisas.

Não existe amor em Campinas. Ou será que existe?

27 maio 2014

Dilma: o pior governo da história

27 de maio de 2014

Pronto. Ganhei sua atenção. Desculpe, mas não falarei sobre o governo Dilma. A intenção deste texto é apresentar dicas sobre como realizar uma publicação com bastante views para uma página.

A primeira dica é justamente a que te trouxe a este blog: o título. Títulos no superlativo chamam a atenção. Ainda mais se tiver um caráter depreciativo. Melhor ainda se o alvo for algum dos personagens que nunca saem de moda, como Dilma, Revista Veja, Pelé, Venezuela, Cuba e Rede Globo. Modere ao citar os deputados Bolsonaro ou Feliciano, pois já são temas old fashion.

A foto também é importante, pois dá cara à postagem. Quanto mais cor, melhor. A utilização de montagens está liberada, afinal, se a Revista Veja usa, por que você não usaria? E, se possível, poste fotos de cachorrinhos e gatinhos fofos. Por algum motivo, animais fofos sensibilizam mais as pessoas que seres humanos.

Mas a cereja do bolo, claro, é sempre o texto. Se for político, jamais se esqueça dos termos “PeTralhas” ou “Tucanalhas”. Se for crítica social, foque em “coxinhas” ou “geração leite com pera”. Ironia é fundamental, ainda que sejam ironias tão clichê quanto essas. Postagens cotidianas de "como foi meu dia"geralmente não funcionam. Ninguém quer saber o que você comeu no dia de hoje, a não ser que a postagem for no Instagram.

Utilize citações de autores que você nunca leu. Dá credibilidade, e passa um ar culto à sua postagem.

Comente sobre o assunto do momento, e isso vale também para redes sociais como um todo. Ou vai me dizer que você não tirou uma foto comendo banana com a hashtag #SomosTodosMacacos, hein, primata? 

E lembre-se: views são mais importantes que conteúdo. Curtidas são mais importantes que credibilidade. "Nada é importante”, já dizia Antônio Abujamra. Mas quem é esse cara? Não importa, nunca li nada dele. Apenas ignore-o, e torne-se um semi-deus de sua página virtual.

26 maio 2014

Mentes

26 de maio de 2014

Infelizmente,
Infeliz mente.
Mente,
mas não me engana.
Felizmente.

22 maio 2014

Mensalidade na USP pra quem?

22 de maio de 2014

Em artigo publicado no site da revista Carta Capital no dia 19 de maio, intitulado “Mensalidade na USP?”, Ricardo Palacios defende a cobrança de mensalidade na USP e, consequentemente, em outras universidades públicas do país. Tem argumentos bem construídos e concordo quando ele diz que esse é um tema que deve ser debatido, assim como todos os outros temas considerados tabus, já que vivemos em uma democracia e as ideias não devem ser censuradas.

Ricardo Palacios, médico formado pela Universidade Nacional da Colômbia e atual universitário na faculdade de Ciências Sociais da USP, tem uma visão idealizada das coisas. Se considerarmos apenas que a USP vive hoje uma crise financeira grave, a cobrança de mensalidade na universidade pública (??) seria, talvez, um meio de recuperar os cofres da instituição.

Porém, se pensarmos no contexto, veremos que esta é uma opinião simplista. Somos o país que mais paga imposto no mundo, e temos o pior retorno em serviços. Alguém questiona que, apesar dos impostos, a educação, a saúde, a segurança, o transporte e outra série de coisas vão mal – muito mal – em nosso país?

A USP recebe 5% de todo ICMS arrecadado pelo governo de São Paulo, imposto que encarece 18% de boa parte das mercadorias compradas pela população. Dessa forma, quem compra mais coisas (os ricos), acaba dando uma contribuição maior para a manutenção da USP do que os que compram menos coisas (os pobres). Justo! Todos nós já financiamos a educação. Os mais abastados com mais, os menos privilegiados com menos. O que Palacios não cobra em seu artigo é uma investigação sobre onde e como todo esse montante é aplicado. Segundo levantamento de 2012, o estado de SP recebeu R$ 109.103.539.000,00 em ICMS; dessa forma, só a USP, recebeu no ano de 2012 R$5.455.176.950,00. Estamos falando em bilhões. Isso não é suficiente para manter uma universidade? Não sei. Você não sabe. Ninguém sabe. Sabemos apenas que nós, ricos e pobres, já pagamos impostos abusivos para serviços que não temos. O que Palacios, Folha de S.Paulo, e até mesmo alguns professores da própria USP estão propondo é pagarmos mais uma taxa por mais um serviço que não teremos.

A pergunta é: o chamado “Fundo Fraterno”, em um Brasil notadamente corrupto, será utilizado, na prática, para financiar quem? Os alunos ou os detentores do poder?

Sou contra a mensalidade porque, além de achar injusto com o povo que mais paga imposto no mundo, não confio em quem está no poder.


Danilo Pessôa, jornalista formado na universidade particular PUC-Campinas, e um dos financiadores da USP através do ICMS